Poesia
Adeus, Campos Felizes - Antologia do Campo na Poesia Portuguesa do Século XIII ao Século XXI
Rui Lage
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Descrição:
O tempo estava bom. Levaram-lhe os dentes, brancos & úteis; crisparam-lhe as costas da mão; partiram-lhe o cabelo verde ao meio. Bufaram-lhe amores, interesses. “Por baixo,” (clamaram com vozes de ferro) “vê se entendes, não há nada. Aí tens.” O tempo estava muito bom. Destaparam-no até ficar-se a ver, e aninhou-se & pediu pra ver menos dele. Instalaram espelhos até flutuar. “Basta” (murmuraram) “se Nos quiseres ver tu, quem sabe não te salves. Sim.” O tempo floriu. Afrouxaram-lhe os olhos todos, e polegares em fogo nos ouvidos, e apertaram-lhe a mão como um malhete. Atiraram-lhe longos silêncios. (Mal pousado!) Lixaram-lhe a esperança mais roliça. (Tão virar de quilha.) Levaram-lhe a virilha.
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