Sobre Al Berto

Al Berto

Biografia:

Al Berto, pseudónimo de Alberto Raposo Pidwell Tavares, nasceu a 11 de janeiro de 1948, em Coimbra, Portugal, e faleceu a 13 de junho de 1997, em Lisboa. Foi um poeta, escritor e artista plástico português, considerado uma das vozes mais singulares e influentes da poesia portuguesa da segunda metade do século XX.

Passou a infância e a juventude em Sines, cidade que marcou profundamente o seu imaginário literário e que surge frequentemente evocada na sua obra. Em 1967 mudou-se para Bruxelas, Bélgica, onde estudou pintura e artes visuais na École Nationale Supérieure d’Architecture et des Arts Visuels – La Cambre. Durante este período dedicou-se sobretudo às artes plásticas, iniciando apenas mais tarde um percurso centrado na escrita.

Após a Revolução de 25 de Abril de 1974 regressou a Portugal e instalou-se em Sines. A partir dessa altura dedicou-se intensamente à literatura, tornando-se uma figura de referência da poesia portuguesa contemporânea. A sua escrita caracteriza-se pelo tom confessional, pela forte dimensão autobiográfica e pela exploração de temas como a memória, o desejo, a solidão, a noite, a viagem, o corpo, a marginalidade e a morte.

Estreou-se com À Procura do Vento num Jardim d’Agosto e publicou, ao longo da carreira, obras como Trabalhos do Olhar, Lunário, Salsugem, A Secreta Vida das Imagens, Luminoso Afogado e Horto de Incêndio. Em 1987 reuniu grande parte da sua produção poética em O Medo, livro que foi sendo sucessivamente ampliado pelo autor e que é hoje considerado a obra central do seu percurso literário.

Além da poesia, escreveu diários, textos em prosa e organizou diversas antologias. A sua linguagem, simultaneamente lírica e intensa, aproxima a experiência íntima da observação do mundo, criando uma obra profundamente pessoal e reconhecida pela sua originalidade.

Em 1988 recebeu o Prémio do PEN Clube Português de Poesia por O Medo e, em 1989, foi distinguido com o Prémio D. Dinis, atribuído pela Fundação Casa de Mateus. Após a sua morte, a importância da sua obra continuou a crescer, sendo amplamente estudada em universidades e traduzida para várias línguas.

Al Berto permanece como uma figura incontornável da literatura portuguesa contemporânea, admirado pela intensidade da sua escrita e pela forma como transformou a experiência pessoal numa poesia de alcance universal.