Cobiça, Esplendor e Miséria
22,00 €
Em stock
Descrição:
A 11 de dezembro de 1742, após 81 dias de travessia do Atlântico, seis galeões adentraram pelo rio Tejo e atracaram em Lisboa. Traziam uma carga prodigiosa: 235 quilos de ouro, milhares de lingotes de prata e diamantes – o maior de 87,5 quilates, cerca de 18 gramas, uma das mais preciosas pedras alguma vez vistas.
No auge do poder e da riqueza, o império português do Ultramar era o maior produtor mundial de pedras e metais preciosos. D. João V, conhecido por ser vaidoso e esbanjador, dividia os tesouros com o Papa e mandava distribuir moedas de ouro nas ruas de Paris, enquanto construía palácios, igrejas e conventos repletos de esplendor, para causar inveja aos vizinhos europeus. A corrida ao ouro e diamantes tornou-se o motor da prosperidade do reino.
Por essa razão, legiões de pessoas abandonaram as suas casas em Portugal e no litoral do Brasil, partindo em busca de riqueza fácil na exploração mineira. Em algumas décadas, a população do Brasil cresceu dez vezes, enquanto uma onda de fome, violência e criminalidade assolava o interior do território. Dois milhões de homens e mulheres foram arrancados das suas raízes africanas, embarcados à força em navios negreiros e transportados para os garimpos brasileiros.
No final do século XVIII, a América Portuguesa tinha a maior concentração de pessoas negras no continente americano, dando assim origem a uma nova África na outra margem do oceano.
