Sede de me Beber Inteira
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Descrição:
Luís A. Fernandes percorre o espaço da casa, empoleira-se à janela, e observa a cidade. Diante de si, do reflexo, espera aqueles que vão dormir; também um menino, talvez o poeta, ele próprio, seu filho (re)nascido do ventre da urbe. Os versos de Fernandes são as palavras aflitas desse menino reflectido, tomadas por um choro que se cala à procura de gritar. “Vês filho todos dormem menos nós”, também assim nos silencia o poeta propondo-nos, contudo, o grito calado; e a poesia de Fernandes faz-nos gritar, como meninos calados gritando e chorando à dor, talvez prestes a sonhar. “Com o que sonha uma criança acabada de nascer?”. Atentos, escutamos estes versos para podermos imaginar o que infelizmente já conhecemos porque aprendemos, precisamente, a imaginar. Até ao limite do cansaço, do grito e do choro. Eu diria que os versos de Fernandes são o embalo dessa exaustão, sossegando a figura que teima em mover-se imperceptível num quadro de uma natureza-morta pronta a tomar-se de vida.
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