Envelhecer como Buda
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Descrição:
«Paradoxalmente, quase toda a gente quer ter uma vida longa, mas ninguém quer envelhecer. Falar de anti-aging é mais popular, apetecível e comercial do que falar do envelhecimento, mas para responder ao desafio que me foi feito, e tendo experiência pessoal no assunto, proponho-me falar sobre isso mesmo, sem complacência mas com humor e alguma da sabedoria que o Budismo me ensinou. Tenho, porém, de adverti-lo(a) de algumas das convicções que subentendem a minha abordagem do assunto e sustentam a forma como experimento esta fase da minha vida. Nomeadamente o facto de estar convencida de que não vivemos apenas uma vez. (…) Se partirmos deste princípio, o desejo de prolongar a vida indefinidamente, mesmo com um corpo decrépito, deixa de fazer sentido. Por que razão haveria eu de me apegar a este corpo que já teve melhores dias e gastar rios de dinheiro a remendá-lo, quando o processo natural da vida me presenteia com um outro, novinho em folha e totalmente gratuito, quando o momento certo chegar? Obviamente isto não significa que eu não tenha apreço, respeito e consideração por esta vida presente. Toda a experiência e sabedoria acumuladas durante esta existência humana são preciosas e, embora seja possível levar comigo a resultante de tudo isso, uma nova vida, num novo corpo, significa toda uma nova aprendizagem de pelo menos duas ou três décadas. Isto incita-me, certamente, a cuidar da minha saúde física e mental para que a minha vida seja o mais longa, plena e útil possível e para poder tirar partido de cada momento que me for dado estar viva. Porém, pensar no final de uma existência como o amadurecimento das lições aprendidas e o preparar de uma existência futura é muito diferente de encarar o envelhecimento apenas como um processo doloroso de perdas sucessivas, culminando na perda total que é a morte. Ao escrever esta última linha, tomei de repente consciência de que estou a propor-me falar de dois dos maiores tabus da nossa época: o envelhecimento e a morte. Espero não o ter assustado. A minha intenção, porém, é partilhar consigo algumas das reflexões e das estratégias que eu uso para envelhecer como o bom vinho do Porto. E se isso não for muito popular, tanto pior. Que ao menos seja útil!»
