Absolutamente Felizes ao Sol
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Descrição:
Aqui temos a geometria de uma mulher, exposta pela natureza dos corpos e das coisas, na subtileza de um traço que se exibe na expressão do seu contrário, amando a contradição e o contraste, desejando o circular e o infinito, querendo ser parte e também cumprir-se em liberdade e possibilidade de partir. Ela, a mulher-ilha que se olha por fora, em compaixão pela perda de todas as promessas, dos quotidianos perdidos, como se, no inverno, estimasse o verão. É ela a boa menina que rejeita o conforme, a convenção e o cliché. As descrições são sucintas e exatas, na precisa medida da relevância estética, como as de uma tela e da delicadeza do gesto que antecipa a sua força. São textos de exibição, dez telas sequenciadas, como respiração ou passos. Helena Amante decompõe as proporções entre vazios, no subliminar que a literatura é e que a autora, com maturidade, executa. E no ímpeto do fôlego último, jorra a urgência que não podia ser contida — ela, a mulher e todas as que ela pode ser.
