“Em 2078…” Por Maria do Rosário Pedreira
Texto publicado originalmente em outubro de 2023.
Por Maria do Rosário Pereira.
Em 2078, entro numa livraria que em tempos existiu em Leiria e tinha um nome profético – Arquivo –, como se realmente já então se soubesse que um dia as livrarias seriam meros arquivos, repositórios de um passado que muitos dos que hoje vivem não conheceram. Mato saudades do cheiro do papel, que já ninguém usa há décadas por razões ecológicas, e recordo a simpatia com que aqui era recebida quando acompanhava escritores, essa espécie que se extinguiu com a criação de programas de criação literária autossuficientes. Olho para tudo com saudade e penso que eu própria já me deveria ter extinguido, mas sobrevivi porque as impressoras 3D se tornaram capazes de produzir órgãos vitais de substituição e prolongar a vida humana. Para quê, se já não existem livros senão nos museus?